Memórias do cinema de rua - Minhas experiências no Cinema Rio Branco de Nazaré/BA
- Eudaldo Monção Jr.

- 23 de fev.
- 1 min de leitura

Recordar as primeiras vezes em uma sala de cinema é revisitar um espaço de encantamento coletivo. Para mim, Eudaldo Monção Jr., essas lembranças estão profundamente ligadas ao Cinema Rio Branco, em Nazaré, uma das casas exibidoras mais emblemáticas do Recôncavo baiano. Entrar naquele espaço sempre foi atravessar um portal: da praça movimentada para a penumbra da sala, onde o som das conversas se dissolvia no tilintar dos projetores e na cortina que se abria para a tela.
O cinema nunca foi apenas um lugar de assistir a filmes, mas um território de descobertas. As poltronas, a arquitetura, a luz suave que antecede a sessão, o ritual de acomodar-se em silêncio, tudo compõe uma atmosfera que transforma a experiência em algo maior que a própria obra exibida. Estar no Rio Branco era e continua sendo viver o cinema como experiência coletiva, quando uma sala cheia se emociona em uníssono, rindo, chorando ou silenciando diante da grande tela.
Essa vivência tornou-se ainda mais clara nos documentários dirigidos por mim e realizados pela Memorabilia Filmes, quando a própria sala de projeção se transforma em personagem. Nos relatos de antigos frequentadores e nas imagens da arquitetura do prédio, o Cinema Rio Branco ganha voz e corpo, revelando sua trajetória como espaço cultural pulsante, resistente ao tempo e às transformações da cidade. O documentário Cine Rio Branco, realizado em parceria com o Canal Futura, reforça essa dimensão, mostrando como a sala atravessa gerações e segue sendo referência de sociabilidade, memória e identidade local.




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