Sessão “O Que Restou do Cinema”, integrante da Autêntica Mostra Cinemas do Brasil, movimenta o Instituto Guimarães Rosa, em Manágua.
- Eudaldo Monção Jr.

- 11 de abr.
- 4 min de leitura
Manágua (Nicarágua)

Documentários brasileiros destacam histórias de abandono, resistência e afeto ligadas aos cinemas de rua
A 5ª Autêntica Mostra Cinemas do Brasil promoveu, na noite da última quinta-feira (09/04), às 18h, a sessão “O Que Restou do Cinema”, no Instituto Guimarães Rosa (IGR), em Manágua. Com duração total de 94 minutos, a programação reuniu documentários que propõem uma reflexão sensível sobre a memória dos cinemas de rua e os vestígios deixados após o fechamento dessas salas históricas.

A sessão apresentou ao público dois filmes brasileiros: Cinemas, Ruínas e Sucatas (2025), dirigido por Joilson Bessa e Carolina de Cássia, e A Cidade que Tinha um Cinema (2025), dirigido por Daniela Farina. As obras abordam, a partir de diferentes perspectivas e territórios, o impacto do desaparecimento dos cinemas de rua e a permanência dessas experiências na memória coletiva das cidades e de seus habitantes.

Em Cinemas, Ruínas e Sucatas, o espectador é conduzido por um percurso afetivo pelas antigas salas de exibição de Campos dos Goytacazes (RJ), revelando histórias de abandono, transformação e resistência cultural. O documentário é dirigido por Joilson Bessa, graduado em História pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), com pós-graduação em Literatura, Memória Cultural e Sociedade pelo Instituto Federal Fluminense (IFF) e mestrado em Geografia pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Atua como professor da rede pública municipal de Campos dos Goytacazes e possui trajetória relevante na área cultural, tendo integrado o Conselho Municipal de Cultura e o Fundo Municipal de Cultura do município, além de ocupar cadeira no Instituto Histórico de Campos dos Goytacazes. A codireção é de Carolina de Cássia Ribeiro de Abreu, documentarista, assistente social e mestre em Políticas Sociais, que iniciou sua trajetória no audiovisual em 2020 e já realizou mais de 30 documentários independentes com base etnográfica, voltados à valorização de histórias e saberes de comunidades do Norte Fluminense. Também atua na circulação de seus filmes em comunidades, organizações sociais e instituições de ensino, além de manter formação contínua em cinema por meio de cursos em diversas instituições culturais.

Já A Cidade que Tinha um Cinema resgata, a partir do olhar de crianças e moradores, as lembranças do antigo Cine Guarany, no município de Xaxim (SC), destacando a importância do cinema como espaço de encontro e formação social. O filme é dirigido por Daniela Farina, formada em Jornalismo com especialização em Cinema. Roteirista, produtora executiva e diretora, é sócia da Três Quadros Filmes e uma das cofundadoras da CINELO – Associação de Cinema e Vídeo de Chapecó e Região, onde já atuou como coordenadora geral. Seu trabalho no audiovisual inclui produções para TV, cinema e publicidade, com destaque para o curta A Palhaça Dentro do Espelho, exibido em festivais internacionais, e As Três, premiado como melhor curta-metragem catarinense no 2º Festival Nacional de Cinema de Lages.

A abertura da sessão contou com a participação da coordenadora geral do Instituto Guimarães Rosa, Aline Lund, que realizou a apresentação institucional e entregou um certificado de agradecimento ao coordenador e curador da Mostra, Eudaldo Monção Jr., reconhecendo a relevância da iniciativa para o intercâmbio cultural entre Brasil e Nicarágua.
Ao término da exibição, o público participou de um debate sobre os filmes e sobre o projeto de circulação da Mostra, que tem como foco produções dedicadas à memória dos cinemas e à preservação do patrimônio audiovisual. O encontro proporcionou uma troca rica de experiências e reflexões sobre o papel do cinema enquanto espaço coletivo e elemento fundamental da identidade cultural.

A sessão reafirma o compromisso da Autêntica Mostra Cinemas do Brasil em promover o acesso ao cinema brasileiro contemporâneo e estimular discussões sobre memória, cultura e preservação, aproximando diferentes públicos por meio de histórias que atravessam territórios e gerações.

A Autêntica Mostra Cinemas do Brasil é uma realização de Eudaldo Monção Jr., por meio da Memorabilia Filmes e apresenta um panorama de filmes que buscam homenagear os cinemas de rua do país e que propõem uma discussão sobre a atual situação desses monumentos arquitetônicos. A quinta edição do projeto conta com o apoio cultural das Embaixadas do Brasil na Cidade do México, em São Salvador e em Manágua, por meio de suas unidades do IGR – Instituto Guimarães Rosa. Conta com apoio também do Ágora de la Ciudad, da Secretaría de Cultura e Gobierno del Estado de Veracruz, da Red Xalapeña de Cineclubes, da Maraña es Cultura AC, da UNAN Manágua – Universidad Nacional Autónoma de Nicaragua, do IRDEB – Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia (TVE Bahia e Educadora FM), da TV Educa Bahia e do Colégio Estadual Dr. José Marcelino de Souza, através da Secretaria de Educação, do Pouso das Artes através do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC), da Diretoria de Audiovisual e Multimeios (DIMAS), através da Fundação Cultural do Estado da Bahia (FUNCEB). O evento conta ainda com a parceria institucional do CTAv – Centro Técnico Audiovisual, referência nacional na preservação, salvaguarda e difusão de materiais cinematográficos e audiovisuais, e com apoio financeiro do Governo do Estado da Bahia, por meio do Fundo de Cultura, da Secretaria da Fazenda e da Secretaria de Cultura, através do Edital de Mobilidade Artística e Intercâmbio.
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